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Nele guardamos trabalhos pedagógicos que tem marcado significativamente a vida de professores e crianças; nossas conquistas, nosso aprendizado como grupo.

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16.6.10

A Melhor Maneira de Elogiar

Ficou bonito, mãe?
Todo mundo gosta e precisa de elogio. Criança também, mas o que soa como estímulo para os pais pode ser constrangedor e até intimidante para ela. Dizer a coisa certa na hora certa é uma arte e um aprendizado, e seu filho só tem a ganhar se você se empenhar em elogiar no tom adequado para a idade dele e para o tamanho da proeza
Espelho meu
Até os 7 anos, as crianças não têm condições de analisar seu desempenho. Estão focadas nas necessidades imediatas e não fazem idéia de quanto poderão progredir - e do que será bom para elas no futuro. Por isso, precisam de ajuda para identificar suas habilidades e visualizar seus avanços, e os adultos funcionam como espelho, revelando padrões de comportamento positivos e negativos. Como a auto-estima não é inata, o elogio tem um papel importante para motivar os pequenos a enfrentar desafios e perceber que são capazes e amados. Portanto, sonegá-lo é sinônimo de encrenca mais tarde. Por volta dos 2 anos, eles começam a fazer associações entre uma atitude específica e um sorriso dos pais. Logo concluem: Sempre que faço isso, mamãe fica feliz". "É um nível primário de correspondência entre ação e reação", explica Lino de Macedo. Para as crianças, é difícil compreender que uma atitude tem valor por si só. Elas costumam associá-la à resposta afetiva que recebem dos pais, seja um carinho ou uma bronca. "Fazem uma letra bonita no caderno para agradar à professora e não porque entendem que esse progresso é fundamental para o próprio desenvolvimento", exemplifica a psicóloga Ceres Alves de Souza, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Portanto, comentários do tipo: "Fico tão feliz quando você acerta toda a tarefa!" ou "Você é o menino mais inteligente que eu conheço! Mamãe te ama muito!" acabam por confundir o pequeno. Ele pode associar a lição bem-feita ao fato de ser querido e vai se sentir compelido a acertar sempre para não decepcionar.
A criança também não consegue separar muito bem o sujeito da ação. Ao ouvir que fez uma coisa errada, acha que a crítica dirige-se a ela, e não ao ato em si. Em vez de pensar: "O que eu fiz não foi legal", tende a sentir que ela própria não é legal. Por isso, convém medir as palavras tanto na hora de enaltecer quanto ao repreender. Em vez de dizer: "Você é uma boa menina" quando ela guarda os brinquedos, tente: "Você me ajuda muito quando guarda seus brinquedos". Assim a ênfase recai sobre o comportamento. "Uma criança não entende o que é ser boa, inteligente ou educada, mas compreende que a mãe gostou de ver os brinquedos no lugar", afirma Lino. Para seu filho perceber onde acertou, o reconhecimento precisa vir acompanhado de uma explicação, por exemplo: "Que bom que você escovou os dentes sem que eu tivesse que pedir".

Direto ao ponto
Outra recomendação dos especialistas é focar na realização de forma objetiva, o que traz mais benefícios do que usar adjetivos grandiloqüentes, mas genéricos. Apontar os progressos que o filho fez de um mês para outro é mais positivo do que elogiá-lo por ser o primeiro da classe", compara Ceres. O mesmo vale para a lição de casa. Prefira reconhecer a tarefa bem-feita a rotulá-lo com um: "Você é muito inteligente". Assim, você oferece apoio para que ele mesmo consiga perceber suas habilidades. Seu filho teve um desempenho excelente no teatrinho de fim de ano da escola? Resista à tentação de dizer a ele que tem um dom natural para o palco; em vez disso, ajude-o a identificar como o esforço e a dedicação dele contribuíram para que tudo desse certo. "Às vezes, a simples presença dos pais nesses eventos funciona como um reconhecimento maior do que qualquer palavra", conta Lino.
Demonstrar contentamento na primeira vez em que o filho usa o banheiro sozinho ou quando come toda a verdura no almoço faz com que ele se sinta valorizado, o que estimula a repetição dessas ações até se tornarem um hábito. É o que descobriu a diretora de marketing Maria Isabel Tarsitano, de São Paulo, mãe de Lucas, 6 anos, e Felipe, 5. "Quando meus filhos nos esperam terminar de comer para levantar da mesa, quando agradecem às pessoas e pedem 'por favor', mostro que estão sendo educados", conta. Enaltecer habilidades, como desenhar bem ou tocar um instrumento musical, também produz satisfação. Mas o que mais contribui para o desenvolvimento do pequeno é ser reconhecido ao atingir progressos em atividades que ainda são um obstáculo para ele. Isso faz com que se sinta capaz de enfrentar novos desafios, mesmo que tenha falhado na primeira tentativa. Se a criança estiver aprendendo a andar de bicicleta, dizer "Hoje você conseguiu se equilibrar bem melhor" pode fazer diferença na próxima investida. "Esse incentivo ensina a ter persistência e motiva a se empenhar mais", afirma a psicóloga Maria Tereza Maldonado, do Rio de Janeiro, autora do livro COMUNICAÇÃO ENTRE PAIS E FILHOS(EDITORA SARAIVA). "Caso contrário, ela pode se sentir frustrada por não dominar a habilidade de imediato."
Mas de nada adianta se gabar cada vez que seu filho amarra o cadarço do tênis sem ajuda. "Se uma habilidade já está dominada, a criança precisa partir para outra, senão o reconhecimento fica associado ao já sabido", explica Lino de Macedo. É o que acontece quando, ao receber muitos elogios pelo desenho que fez de uma casa, o pequeno passa a rabiscar apenas casas. Ele quer agradar à mãe e faz somente aquilo em que se dará bem, deixando de buscar outros aprendizados. Numa situação dessas, é importante que os pais proponham novos desafios. Por que não tentar desenhar um caminhão?
Fonte: Ficou Bonito, Mãe? - Revista Claudia
Site: www.claudia.com.br

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